O mito da superoridade dos orgânicos ainda é um mito

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Poucas afirmações geram tantas reações coléricas quanto a seguinte: alimentos orgânicos não são mais saudáveis do que suas contrapartes convencionais, e boa parte dos argumentos utilizados para justificar sua suposta superioridade parece estar mais fundamentada em crenças e vieses do que em evidências científicas.

Dentre os contra-argumentos mais comuns, os proponentes desses alimentos destacam a menor exposição a resíduos químicos, o menor impacto ambiental e a preservação de maiores concentrações de nutrientes. Este último argumento, entretanto, é uma meia-verdade, já que depende do alimento e do nutriente analisados — voltaremos a esse ponto mais adiante.

Só para deixarmos todos na mesma página, vale destacar que são considerados alimentos orgânicos aqueles produzidos de acordo com a Lei nº 10.831, de 23 de dezembro de 2003, que define um sistema de produção baseado na sustentabilidade ambiental, na redução da dependência de insumos sintéticos e na restrição ao uso de organismos geneticamente modificados, entre outras práticas.

Também é importante esclarecer que, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, alimentos orgânicos não são produzidos sem agrotóxicos. Eles podem receber produtos fitossanitários autorizados para uso na agricultura orgânica, produzidos a partir de substâncias naturais ou minerais, como óleos, extratos vegetais e sulfato de cobre. Este último, aliás, ilustra bem que “natural” não é sinônimo de seguro, já que pode apresentar toxicidade significativa quando utilizado de forma inadequada.

Independentemente dessas questões, os alimentos orgânicos continuam conquistando espaço entre os consumidores. Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Orgânicos no Brasil 2023, realizada com mil participantes, 46% da população brasileira consumia alimentos orgânicos, um crescimento de 16% entre 2021 e 2023. O número de produtores orgânicos cadastrados no Ministério da Agricultura saltou de aproximadamente 6 mil em 2012 para quase 24 mil em 2026. Além disso, segundo o Valor Econômico, o setor movimenta cerca de R$ 7 bilhões por ano.

Mas por que tantas pessoas continuam comprando esses alimentos?

Uma das respostas aparece no artigo “What Motivates Consumers to Buy Organic Foods? Results of an Empirical Study in the United States”, que avaliou 770 consumidores norte-americanos. A preocupação com a saúde foi a principal razão para a compra desses alimentos (48%), seguida pela percepção de ausência de pesticidas (19%), produção ambientalmente sustentável (15%) e maior frescor dos alimentos (9%).

Obviamente, não podemos transferir diretamente esses resultados para a realidade brasileira. No entanto, o artigo “Drivers and Barriers of Organic Food Consumption: A Comparative Analysis in Brazil, the U.S., and Europe” encontrou resultados semelhantes. Entre os brasileiros, os principais fatores associados ao consumo de orgânicos foram apoio aos negócios locais, preocupações com saúde e nutrição e questões ambientais. 

Nada disso deveria ser exatamente uma novidade para os leitores da RQC. Em 2019, a presidente do IQC, Natália Pasternak, publicou um dos melhores textos já produzidos sobre o tema, intitulado “O mito da superioridade dos orgânicos”. De forma bastante resumida, sua conclusão permanece atual:

“Não há razão para ‘contra’ orgânicos. Se manejados dentro da lei, estes produtos são tão seguros e nutritivos quanto os convencionais. É difícil, porém, achar justificativa ética ou científica para a estratégia de marketing utilizada para fazer com que as pessoas sejam ‘a favor’ deles. O mercado força o consumidor a escolher entre ‘dois lados’, e o joga no pior dos dois mundos. Iludido pela aura enganosa dos orgânicos, acredita estar consumindo produtos superiores e livres de pesticidas.”

Infelizmente, e já antecipando um possível sensacionalismo científico, existe um estudo recente que parece reforçar essa ideia de superioridade. Trata-se do artigo “Consumption of Organic Compared With Conventional Fruits and Vegetables in Relation to Cancer Risk: Findings From the NutriNet-Santé Cohort Study”, uma pesquisa observacional que discutiremos em outra seção. Em resumo, os autores concluíram que a substituição de frutas e vegetais convencionais por versões orgânicas esteve associada a uma redução do risco de câncer de mama pós-menopausa.

Antes de discutirmos esse estudo e explorarmos algumas nuances importantes, vale começarmos por uma questão mais básica:

Existe alguma diferença nutricional relevante entre alimentos orgânicos e não orgânicos?

Teor nutricional

Publicada recentemente sob o título “Are Organics More Nutritious Than Conventional Foods? A Comprehensive Systematic Review”, esta revisão sistemática teve o objetivo de responder exatamente a essa pergunta: alimentos orgânicos são mais nutritivos?

Para isso, os pesquisadores analisaram estudos publicados entre janeiro de 1990 e março de 2020 que compararam alimentos orgânicos e convencionais quanto ao conteúdo nutricional e à presença de resíduos. Os parâmetros avaliados foram agrupados em quatro categorias: macronutrientes, micronutrientes, resíduos (nitratos, nitritos e metais pesados) e outros compostos bioativos, como polifenóis e ácidos fenólicos.

Ao todo, foram incluídos 147 artigos, somando 1.779 amostras laboratoriais de alimentos orgânicos e convencionais e resultando em 656 comparações. 

Os resultados revelaram um cenário consideravelmente mais complexo do que costuma ser apresentado em campanhas publicitárias ou debates nas redes sociais. Entre as frutas, aproximadamente metade das comparações não identificou diferenças estatisticamente significativas entre alimentos orgânicos e convencionais. Nas hortaliças, os resultados foram ainda mais heterogêneos, com estudos favorecendo os orgânicos, os convencionais ou simplesmente não encontrando diferenças. Tendência semelhante foi observada para cereais, leguminosas, sementes e grãos.

Alguns exemplos ajudam a ilustrar essa complexidade. Enquanto a vitamina C foi observada em concentrações mais elevadas nos alimentos orgânicos na maior parte das comparações, compostos como licopeno e β-caroteno frequentemente apresentaram valores superiores em alimentos convencionais. O mesmo padrão foi observado para resíduos. Em determinadas comparações, alimentos orgânicos apresentaram maiores concentrações de metais pesados do que os equivalentes convencionais.

Em outras palavras, a eventual superioridade dos alimentos orgânicos ou convencionais depende tanto do alimento quanto do parâmetro analisado. Isso ocorre porque o conteúdo nutricional pode ser influenciado por diversos fatores além do sistema de cultivo, incluindo manejo agrícola, características do solo, condições climáticas, safra e grau de maturação no momento da colheita.

Portanto, se existe uma crença entre consumidores de que alimentos orgânicos são, em geral, nutricionalmente superiores aos convencionais, essa crença não encontra sustentação em evidências científicas consistentes. 

Entre as limitações da revisão, destaca-se a dificuldade de reunir dados suficientemente homogêneos para permitir análises estatísticas mais sofisticadas. Além disso, a investigação concentrou-se exclusivamente em aspectos nutricionais e na presença de resíduos, não abordando possíveis diferenças relacionadas ao impacto ambiental.

Apesar dessas limitações, a conclusão geral é relativamente clara: a simples classificação de um alimento como orgânico não permite inferir que ele seja nutricionalmente superior à sua contraparte convencional. 

NutriNet-Santé

Entre os estudos mais citados sobre os possíveis benefícios dos alimentos orgânicos estão os derivados do NutriNet-Santé, uma grande coorte prospectiva francesa criada para investigar associações entre nutrição e saúde em adultos. Ao longo dos anos, os participantes forneceram informações detalhadas sobre alimentação, histórico de saúde, antropometria, atividade física, uso de medicamentos e outros aspectos do estilo de vida.

Um dos estudos derivados dessa coorte foi publicado em 2018 no JAMA Network Open sob o título “Association of Frequency of Organic Food Consumption With Cancer Risk: Findings From the NutriNet-Santé Prospective Cohort Study”. Os participantes com maior consumo de alimentos orgânicos apresentavam, em geral, perfil mais favorável à saúde, incluindo maior escolaridade e renda, mais atividade física, melhor qualidade da dieta e maior consumo de alimentos in natura.

Após ajustes para potenciais fatores de confusão, maiores escores de consumo de alimentos orgânicos estiveram associados a menor risco de câncer. Em comparação ao quartil mais baixo de consumo, os participantes do quartil mais alto apresentaram risco aproximadamente 25% menor de desenvolver a doença, o que corresponde a uma redução absoluta de cerca de 0,6%. Além disso, cada aumento de cinco pontos no escore de consumo orgânico esteve associado a uma redução de 8% no risco de câncer. Os resultados permaneceram semelhantes após ajustes adicionais e exclusão de casos diagnosticados precocemente.

Contudo, esse não foi o único estudo derivado da coorte. Posteriormente, outros pesquisadores buscaram responder a uma questão mais específica: a associação observada estaria relacionada ao consumo geral de alimentos orgânicos ou, mais especificamente, à substituição de frutas e hortaliças convencionais por versões orgânicas?

Essa hipótese foi investigada no artigo “Consumption of Organic Compared With Conventional Fruits and Vegetables in Relation to Cancer Risk: Findings From the NutriNet-Santé Cohort Study”, que avaliou a associação entre o consumo de frutas e hortaliças convencionais e orgânicas e o risco de câncer, além de estimar o efeito da substituição entre esses grupos alimentares.

O estudo incluiu 31.179 participantes, com idade média de 53 anos, dos quais cerca de 75% eram mulheres. O acompanhamento médio foi de 7,3 anos, período em que ocorreram 1.718 casos incidentes de câncer.

Maior consumo de frutas e hortaliças orgânicas esteve associado a menor risco global de câncer e, principalmente, de câncer de mama pós-menopausa. Cada aumento de 100 g/dia esteve associado a uma redução de 3% no risco global de câncer e de 10% no risco de câncer de mama pós-menopausa. Entretanto, quando analisados por categorias de consumo, a associação mais consistente permaneceu restrita ao câncer de mama pós-menopausa.

Os modelos de substituição mostraram padrão semelhante. Embora os resultados para câncer global tenham sido inconsistentes, a associação inversa com câncer de mama pós-menopausa permaneceu relativamente estável. Em uma das análises, a substituição de 100 g/dia de frutas e hortaliças convencionais por versões orgânicas esteve associada a uma redução aproximada de 10% nesse desfecho.

Para explicar a associação observada, os autores levantam a hipótese de que uma menor exposição a pesticidas possa desempenhar algum papel. Os próprios autores, contudo, reconhecem que esses mecanismos permanecem especulativos.

Por se tratar de estudos observacionais, não é possível inferir causalidade, apenas associações. Além disso, apesar das análises de sensibilidade e dos modelos multivariáveis empregados, não é possível excluir completamente a presença de confundimento residual.

Outra limitação importante é a baixa capacidade de generalização dos resultados. A amostra foi composta majoritariamente por mulheres voluntárias, com características distintas da população geral, o que limita a validade externa dos achados.

Também deve ser considerado o fato de os estudos se basearem em dados autorrelatados, especialmente em relação ao consumo alimentar, estando sujeitos a erros de mensuração, viés de memória e desejabilidade social. Soma-se a isso o fato de as análises terem sido conduzidas em uma população provavelmente mais preocupada com a saúde do que a média da população, o que dificulta separar completamente o possível efeito dos alimentos orgânicos de outros comportamentos favoráveis à saúde.

Além disso, a exposição foi medida apenas uma vez, no início do seguimento, de modo que não é possível garantir que os padrões declarados tenham permanecido estáveis ao longo dos anos.

Isso sem contar um ponto bastante óbvio: mesmo que a associação observada fosse causal, os resultados ainda precisariam ser confirmados em outras populações e contextos, antes que conclusões mais amplas pudessem ser estabelecidas.

Diante dessas limitações, acho válido investigarmos um outro aspecto, ainda mais importante: será que o nível de adesão demonstraria uma suposta superioridade dos orgânicos?

Nível de adesão

Publicada sob o título “The Level of Adherence of Organic Food Consumption and Risk of Cancer: A Systematic Review and Meta-Analysis”, esta revisão sistemática com metanálise teve como objetivo investigar a associação entre o consumo de alimentos orgânicos e o risco de câncer, incluindo câncer em geral e tipos específicos.

A análise foi baseada em apenas três estudos observacionais, totalizando 733.954 indivíduos, com idade média de 54,5 anos e predominância do sexo feminino (80%).

Na análise de câncer em geral, que incluiu 277.410 participantes, o maior consumo de alimentos orgânicos não esteve associado ao menor risco de câncer quando comparado ao menor nível de consumo. O mesmo padrão foi observado para câncer de mama, câncer colorretal e linfoma não Hodgkin. Em relação aos cânceres específicos, apenas um estudo encontrou associação entre maior consumo de alimentos orgânicos e menor risco de câncer de mama pós-menopausa.

Na avaliação do risco de viés, todos os estudos apresentaram preocupações relacionadas a fatores de confusão e outras limitações metodológicas. Em dois deles, foi identificado alto risco de viés na mensuração da exposição, em parte pela ausência de uma definição padronizada de alimentos orgânicos e pelo uso de questionários de frequência alimentar.

Com base nesses resultados, os autores concluem que não houve associação entre a frequência de consumo de alimentos orgânicos e redução no risco de câncer em geral, câncer de mama, câncer colorretal ou linfoma não Hodgkin. Assim, a relação entre consumo de alimentos orgânicos e risco de câncer permanece incerta.

Os autores também argumentam que os benefícios do consumo de frutas e vegetais convencionalmente produzidos provavelmente superam quaisquer riscos potenciais relacionados à exposição a pesticidas. Essa preocupação, portanto, não deveria desencorajar o consumo desses alimentos, especialmente considerando que produtos orgânicos costumam ser mais caros e menos acessíveis.

Os autores ressaltam ainda que as evidências sobre os efeitos do consumo de alimentos orgânicos em desfechos de saúde humana continuam escassas. Estudos disponíveis não identificam diferenças relevantes em biomarcadores ou nutrientes entre consumidores de alimentos orgânicos e convencionais.

Como ocorre em boa parte da epidemiologia nutricional, os estudos observacionais nessa área estão sujeitos a importantes fatores de confusão. Consumidores de alimentos orgânicos tendem a apresentar padrões alimentares mais saudáveis, maior adesão a diretrizes nutricionais, mais atividade física e menor prevalência de sobrepeso e obesidade, o que dificulta separar o possível efeito dos alimentos orgânicos dos demais comportamentos associados à saúde.

Entre as limitações, além da natureza observacional dos estudos, destaca-se o fato de apenas estudos publicados em inglês terem sido incluídos. Também existem limitações relacionadas à mensuração da exposição, já que questionários alimentares autorreferidos estão sujeitos a vieses de memória e desejabilidade social. Soma-se a isso a heterogeneidade na definição e rotulagem de alimentos orgânicos, que pode gerar erros de classificação e afetar as estimativas de associação. Por fim, a falta de homogeneidade metodológica entre os estudos limita a comparabilidade dos resultados e reforça a necessidade de maior padronização em pesquisas futuras.

Essa conclusão e, principalmente, parte da discussão conduzida pelos autores chamam a atenção para um ponto importante: o medo dos pesticidas não deveria levar as pessoas a reduzir o consumo de frutas, verduras e legumes ou a comprar quantidades menores desses alimentos para conseguir adquirir versões orgânicas. Na prática, isso pode produzir justamente o efeito contrário ao desejado, reduzindo o consumo de alimentos amplamente reconhecidos como saudáveis e piorando a qualidade global da dieta.

Deve-se recomendar orgânicos?

Em 2025, os pesquisadores Quin M. Chen (professora de farmacologia da Universidade do Arizona) e Joseph S. Alpert (professor de medicina da Universidade do Arizona) publicaram o comentário “Should You Recommend Organic Food Products to Your Patients, Friends, and Family?, no qual buscaram responder exatamente essa questão: deveríamos recomendar alimentos orgânicos para pacientes e familiares?

Os autores discutem muitos dos aspectos já abordados anteriormente, como composição nutricional, exposição a pesticidas e o uso de hormônios de crescimento e antibióticos na produção agropecuária. Também destacam possíveis vantagens ambientais da agricultura orgânica, como a redução do escoamento de nitratos e fosfatos para corpos d'água e a preservação de insetos e microrganismos benéficos.

Ao analisar os desfechos de saúde a longo prazo, observam que alguns estudos associaram o consumo de alimentos orgânicos a menores riscos de câncer e doenças alérgicas, incluindo reduções de aproximadamente 25% no risco de câncer. Contudo, ressaltam que fatores de confusão relacionados ao estilo de vida mais saudável dos consumidores de orgânicos podem explicar parte importante dessas associações.

Em seguida, os autores sintetizam quatro revisões importantes. Em conjunto, elas não encontraram evidências consistentes de que alimentos orgânicos proporcionem benefícios clinicamente relevantes à saúde quando comparados aos convencionais. 

Com base nesse conjunto de evidências, os autores concluem que os dados sobre benefícios dos alimentos orgânicos para a saúde ainda são limitados. O consumo desses alimentos parece seguro e pode reduzir a exposição a resíduos de pesticidas e bactérias resistentes a antibióticos, mas não existem evidências definitivas de que melhore desfechos de saúde ou prolongue a expectativa de vida. Do ponto de vista clínico, a recomendação mais sustentada pelas evidências continua sendo aumentar o consumo de frutas, legumes e verduras, independentemente do sistema de produção.

Corroborando essa visão, a revisão sistemática “A Systematic Review of Organic Versus Conventional Food Consumption: Is There a Measurable Benefit on Human Health? avaliou 35 estudos, incluindo 15 ensaios clínicos e 20 estudos observacionais.

Os ensaios clínicos apresentaram elevado risco de viés e utilizaram intervenções de curta duração, variando do consumo de um único alimento à substituição completa da dieta por até quatro semanas. De modo geral, mostraram pouca ou nenhuma diferença entre alimentos orgânicos e convencionais nos biomarcadores avaliados, incluindo marcadores do estado nutricional e da capacidade antioxidante.

Além disso, não existem ensaios clínicos de longa duração avaliando diretamente desfechos clínicos. A maioria concentra-se em marcadores substitutos, como antioxidantes ou metabólitos urinários de pesticidas.

Os estudos observacionais, por sua vez, relataram associações entre o consumo de alimentos orgânicos e diversos desfechos, incluindo fertilidade, sensibilização alérgica, linfoma não Hodgkin e síndrome metabólica.

Como ocorre com qualquer estudo observacional, permanece difícil determinar se as associações encontradas são causais. Consumidores de alimentos orgânicos tendem a apresentar padrões alimentares mais saudáveis, maior nível de atividade física e menores taxas de sobrepeso e obesidade, fatores que podem influenciar os resultados. Há evidência consistente de que dietas orgânicas reduzem a exposição a pesticidas, refletida por menores níveis urinários de metabólitos desses compostos. Ainda assim, não existem evidências suficientes para demonstrar que essa redução se traduza em benefícios mensuráveis para a saúde humana.

Acho que ficou claro, mas, por via das dúvidas, vale reforçar essa ideia central: se você tem dinheiro e quer comprar alimentos orgânicos, fique à vontade. Mas faça isso porque deseja fortalecer a agricultura familiar, apoiar determinados modelos de produção ou por qualquer outro motivo dessa natureza, e não por acreditar que eles sejam nutricionalmente superiores aos alimentos convencionais — não são.

Além disso, para aqueles que não podem ou não querem gastar mais com esse tipo de produto, fiquem com a consciência tranquila e continuem consumindo verduras, legumes e frutas, independentemente de serem provenientes da agricultura convencional ou orgânica. No fim das contas, isso é muito mais importante para a sua saúde do que a escolha entre um sistema de produção e outro.

Mauro Proença é nutricionista

REFERÊNCIAS

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